Janeiro Branco: por que falar de saúde mental no trabalho agora?

01/30/2026 | 17:17

Por Dr. Jean Nasgueweitz

Psicólogo Institucional do SINTIMMMEB

Saúde Mental no Trabalho

 

Quando se fala em saúde mental, muita gente ainda associa o tema apenas ao adoecimento já instalado. Ansiedade intensa, depressão, afastamentos, crises. Mas, na prática, o cuidado começa bem antes disso. Começa na forma como se trabalha, como se vive o cotidiano, como se lida com pressão, silêncio e excesso.

Janeiro Branco não é apenas uma campanha simbólica. É um convite à reflexão sobre algo que atravessa todas as fases da vida e, especialmente, o ambiente de trabalho. Falar, ouvir, acolher e buscar ajuda não são gestos isolados ou opcionais. São parte de uma lógica de prevenção que protege pessoas antes que o sofrimento se torne insuportável.

No cotidiano institucional, o que mais aparece não é o diagnóstico, mas o cansaço acumulado. A dificuldade de dormir, a sensação de estar sempre devendo algo, a sobrecarga emocional que não encontra espaço para ser nomeada. Muitas vezes, o trabalhador segue funcionando, cumprindo horários e metas, enquanto por dentro já está no limite. É aí que o cuidado precisa entrar.

Cuidar da saúde mental no trabalho não significa fragilizar o ambiente ou diminuir responsabilidades. Significa torná-lo mais sustentável. Ambientes que reconhecem limites, promovem diálogo e oferecem apoio tendem a ser mais saudáveis, mais produtivos e mais humanos. Não por acaso, esse tema vem ganhando cada vez mais espaço nas discussões institucionais e normativas.

O Sindicato tem um papel fundamental nesse processo. Ao longo do tempo, cuidar da saúde do trabalhador sempre foi cuidar da vida como um todo — dentro e fora do ambiente de trabalho. Hoje, isso inclui olhar com mais atenção para a dimensão mental e emocional, entendendo que ela não é separada do corpo, da família ou das condições de trabalho.

Esse movimento não acontece de uma hora para outra. Ele exige preparação, escuta e responsabilidade. Por isso, falar sobre saúde mental agora é também um passo de maturidade institucional. É reconhecer que o cuidado não começa na norma, mas na consciência. As normas vêm depois, como consequência de uma sociedade que passa a levar esse tema a sério.

Mais do que respostas prontas, o momento pede perguntas bem colocadas. Como estamos trabalhando? Como estamos vivendo? Que tipo de ambiente estamos construindo para quem sustenta esse trabalho todos os dias? Janeiro Branco é um convite ao cuidado: falar de saúde mental no trabalho é também lembrar que o Sindicato e seus profissionais, especialmente a Psicologia, estão aqui para escutar, orientar e caminhar junto com quem trabalha e sustenta, todos os dias, a vida em sociedade.

A Sintimmmeb utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência, de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.