Metalúrgicos de Brusque e Guabiruba aprovam pauta da negociação salarial 2026-2027 em assembleias do Sintimmmeb
Trabalhadores aprovaram 39 cláusulas de reivindicações que serão negociadas com o sindicato patronal; reajuste de 10%, piso de R$ 2.700, PLR maior e redução da jornada estão entre os principais pontos
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Brusque e Guabiruba (Sintimmmeb) realizou na tarde de sábado, 21 de março, as assembleias que deram início à negociação salarial 2026-2027 da categoria. Os encontros ocorreram no auditório do sindicato, em Brusque, e na sede recreativa, em Guabiruba.
Nas duas assembleias, os trabalhadores debateram e aprovaram o rol de 39 cláusulas de reivindicações que será encaminhado ao sindicato patronal, para negociação. A data-base da categoria é o mês de maio.
Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente do Sintimmmeb, Eduardo de Souza, que destacou a participação dos trabalhadores na construção da pauta. Segundo ele, além de aprovarem os itens da negociação, os presentes contribuíram com sugestões, questionamentos e apontamentos sobre as necessidades da categoria.
Entre os principais pontos aprovados está o reajuste salarial de 10%, com reposição pelo INPC somada a ganho real. Conforme ressaltou Eduardo, a proposta leva em conta as perdas acumuladas pelos trabalhadores nos últimos anos, especialmente após o período da pandemia, quando o custo de vida aumentou de forma significativa.
“A previsão de inflação para a nossa data-base, em maio, gira em torno de 3% a 4%, mas a categoria entendeu que é preciso avançar para repor perdas que ficaram, por exemplo, do período da pandemia, quando a cesta básica teve um custo muito elevado. Mesmo que hoje ela esteja mais estável, ela não voltou aos valores de antes. Então os trabalhadores julgaram necessário esse reajuste”, disse.
Outro destaque da pauta é a proposta de elevação do piso da categoria para R$ 2.700. Atualmente, o piso dos metalúrgicos é de R$ 2.220. A reivindicação representa reajuste de 21,62%.
A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) também integra os principais itens da negociação. Hoje fixada em R$ 360, a proposta aprovada pelos trabalhadores é de R$ 742,50 por semestre.
Entre as cláusulas novas está a reivindicação para ampliação do direito de acompanhamento de filhos em consultas médicas. Atualmente, a legislação garante um dia por ano. A proposta aprovada nas assembleias é de três dias anuais.
“Hoje a lei dá o direito de os pais acompanharem os filhos com um dia por ano, e os trabalhadores solicitaram três dias. É suficiente? A gente sabe que não é, mas é extremamente necessário. Foi uma reivindicação importante trazida pelos trabalhadores e aprovada nas assembleias”, pontuou o presidente.
A pauta também contempla a renovação de cláusulas já existentes, como plano de saúde, banco de horas e dispensa do aviso prévio, além do aperfeiçoamento de benefícios já previstos na convenção coletiva.
No caso do plano de saúde, a reivindicação é de reajuste no valor pago pelas empresas. Hoje, esse valor é de R$ 233,76 por funcionário. A proposta é corrigir para R$ 263, o que representa reajuste de 12,51%.
Já em relação ao reembolso de medicamentos, o sindicato reivindica a garantia do pagamento de 50% sem travas para trabalhadores, esposas e filhos de até 16 anos. Segundo o Sintimmmeb, embora a cláusula já exista, muitas empresas têm imposto restrições que dificultam o acesso ao benefício.
A categoria também aprovou a inclusão do reembolso-creche para filhos dos trabalhadores e a manutenção da cláusula de banco de horas, com pedido de inclusão de acordo mútuo para evitar desconto de horas negativas na rescisão.
Outro ponto que voltou a ser defendido pelo sindicato é a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário. A bandeira é histórica dentro do Sintimmmeb e foi novamente aprovada como prioridade da categoria.
Ao comentar o tema, Eduardo ressaltou que, embora muitos metalúrgicos já não trabalhem no sistema 6×1, a luta do sindicato vai além desse debate e passa pela defesa de mais qualidade de vida para os trabalhadores.
A pauta aprovada será agora protocolada junto ao sindicato patronal, dando sequência às rodadas de negociação.
“A nossa meta é fechar essa convenção coletiva entre os dias 15 e 20 de maio, para que as empresas e os escritórios de contabilidade tenham tempo de fazer as alterações necessárias e aplicar o reajuste já no salário de maio. Essa é a nossa expectativa”, explicou.
Eduardo também afirmou que o sindicato espera sensibilidade do setor patronal diante do cenário de crescimento da indústria catarinense e da importância dos trabalhadores para esse resultado.
“A expectativa é que o sindicato patronal e os empresários compreendam que são reivindicações justas. A indústria de Santa Catarina vem crescendo há vários anos acima da média nacional, e os trabalhadores precisam desse reajuste. É o trabalhador que movimenta essa engrenagem. Esperamos que os empresários repassem pelo menos parte desse crescimento para quem ajuda a construir esse resultado todos os dias”, finalizou.



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